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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Love ~ A Primeira Formação, 1966/68 (Parte III)

Forever Changes

Capa do LP Forever Changes

Depois da publicação de Da Capo, a união do grupo começou a deteriorar-se.  Arthur analisa essa situação, numa entrevista dada em finais da década de setenta: «Depois de começarmos a ganhar dinheiro, quanto mais ganhávamos, menos trabalhávamos, menos éramos uma unidade, e o grupo deteriorou-se. Os hábitos pessoais das pessoas começaram a estar antes da música. Todos tinham dinheiro, todos tinham uma casa, um carro, um Cadillac vistoso.»(5 p.20), e por outro lado, a heroína entra na rotina do grupo pela mão do road manager do grupo, Neil Rappaport, e depressa agarra quase todos os seus membros: «Foi o Arthur quem me meteu nisso, embora pense que eu fosse o que se poderia chamar de iniciado ou de fim-de-semana. O Johnny e o Kenny estavam mesmo mal.» – Bryan MacLean (3 p.20)

Entretanto, Arthur Lee reage mal ao sucesso obtido pelos seus “protegidos” Doors, acusando a Elektra de «usar o dinheiro que tinham feito connosco para promover os Doors e fazer deles número 1.»(3 p.82), chegando mesmo a invocar o facto de ele ser negro, como um factor determinante nessa “escolha”.  David Anderle, que produziu vários artistas do catálogo da Elektra, recorda: «Quando cheguei à Elektra, ela era território dos Love.  Rapidamente se tornou em território dos Doors. Isso nada teve a ver com os Doors serem todos brancos; isso teve a ver que essa coisa dos Doors foi tão rápida. Nem o Arthur, aparentemente, tinha esse desespero pelo sucesso que os Doors tinham.»(5 p.82)

Para a gravação do seu terceiro álbum, inicialmente agendado para meados de 1967, Bruce Botnick é encarregue de o produzir em colaboração com Neil Young mas este acabaria por não conseguir compatibilizar este seu interesse com as obrigações que o ligavam à sua banda de então, os Buffalo Springfield (embora ainda tenha chegado a contribuir com os arranjos para The Daily Planet).

Botnick estava a par dos problemas existentes no seio do grupo que agora estava reduzido ao quinteto formado por Arthur Lee, MacLean, Echols, Forssi, e Stuart, e quando a 9 de Junho o grupo entra nos Sunset Sound Records, três músicos de estúdio que geralmente trabalhavam com Phil Spector (o guitarrista Billy Strange, o baterista Hal Blaine e o pianista Don Randi) estão a postos para o que der e vier.  Como Botnick previra, a sessão iria correr mal.

Os Love no período Forever Changes

«No primeiro dia, o Johnny e o Bryan não conseguiam a-
finar as guitarras. O Arthur, não tendo qualquer responsa-
bilidade instrumental, estava sentado na cabina com o en-
genheiro, ocasionalmente carregava no botão para entrar
em contacto com o Johnny, o Kenny, o Bryan, e comigo.
(...) O Arthur ria-se, e os empregados do estúdio sorriam,
porque achavam que deviam participar de um modo apro-
priado na frivolidade. Foi mau.» – Michael Stuart(9 p.4)

No dia seguinte, com o resto dos membros apáticos, Arthur e os músicos de estúdio trazidos por Botnick gravam dois temas.

«O Arthur tocou guitarra e nós trabalhámos os arranjos, e
[os músicos de estúdio] gravaram duas músicas em três
horas. “The Daily Planet” e uma outra [“Andmoreagain”]
que estão no álbum. O grupo também estava presente, e
lembro-me de chorarem fisicamente durante a sessão. O
grupo estava tão chocado, tão deslocado, tão magoado,
que isso os levou a esquecerem os seus problemas e a tor-
narem-se num grupo de novo.» – Bruce Botnick(10 p.29)

O melhor tema de sempre de MacLean, Alone Again Or, abre o disco – quando entraram no estúdio pela penúltima vez, a 10 de Setembro, Bryan apenas tinha um esboço da canção e é lá que ele a desenvolve, valendo-se das recordações de infância quando ouvira muito flamenco (a sua mãe era dançarina dessa música cigana da Andaluzia) e, em termos de letra, recorre a um recente episódio com uma namorada.  Ouvindo a letra (Yeah, I heard a funny thing/ Somebody said to me/ You know that I could be in love with almost everyone/ I think that people are/ The greatest fun) não há qualquer dúvida de que entre os dois compositores do grupo, Bryan com a sua habitual escrita “acerca de gelados”, é o escritor apropriado para melhor captar o espírito da época, mas também muito graças ao arranjo “mexicano” dado por David Angel.  Surpreendentemente, quando em Janeiro o tema é lançado em single, nunca conseguirá ultrapassar o #99 nas tabelas nacionais.  A House Is Not A Motel, de Arthur Lee, gravada na mesma sessão, é o outro lado do grupo, com a sua lírica precisa e crua (The bells from the schools of walls will be ringing/ More confusions, blood transfusions/ The news today will be the movies for tomorrow/ And the water’s turned to blood, and if/ You don’t think so/ Go turn on your tub/ And if it’s mixed with mud/ You’ll see it turn to gray/ And you can call my name/ I hear you call my name), e o seu ritmo neurótico.  A ligação acústica inicial a Alone Again Or é perfeita mas a evolução é rápida e violenta – pouco depois de um minuto, a guitarra transforma-a completamente e, quer a letra, quer os instrumentos, (a)parecem possessos na distorção caótica que se lhe segue.  O tema terá sido inspirado pelas estórias de um indivíduo regressado do Vietname [«Ele estava no exército (e) contava-nos sobre a experiência no Vietname. O sangue embrenhava-se na terra e quando se misturava com a lama, tornava-se cinzento. Ele dizia-nos estas coisas todas. Em qualquer altura das nossas vidas durante aquele período, nós tínhamos medo de que nos fossem agarrar e atirar para aquele esgoto.» – Johnny Echols(9 p.7)].  Andmoreagain resulta da “complexidade” sonora da cultura musical de MacLean (em que os arranjos têm, uma vez mais, um papel fundamental) confrontada com a “simplicidade crua” da letra (And I’m/ Wrapped in my armor/ But my things are material/ And I’m/ Lost in confusions/ ‘cause my things are material) arquitectada por Lee – a junção do melhor de ambos.  The Daily Planet, tal como a anterior, é mais uma crónica do quotidiano observado e registada por Lee e, em ambos os casos, fazem-se marcar por uma série de influências sonoras vindas do outro lado do Atlântico, da swinging London.  Old Man, registada no dia 12 de Agosto, é um número folk-rock cheio de melancolia composto por MacLean.  The Red Telephone, de Arthur Lee, inicialmente conhecida com o título de “Hillside” [«De onde a tirei foi, nos anos 60, toda agente utilizava o polegar para um passeio. “Para aonde vais?” “Vamos para Haight-Ashbury.” “Nós vamos para Big Sur. Tens de vir.” “Bom, como vais até lá?” “Apanhamos uma boleia.” Até que apareceu um louco e começou a esfaquear pessoas, como o Hillside Strangler ou o Charlie Manson.» – Arthur Lee(9 p.8)] foi gravada na última sessão de gravações, no dia 25 de Setembro.  Estes dois últimos temas, aonde as cordas têm um papel determinante, conseguem encerrar o lado 1 de um modo perfeito.

O lado 2, inteiramente da responsabilidade de Arthur Lee, inicia com Maybe The People Would Be The Times Or Between Clark And Hilldale, gravada no mesmo dia que a faixa de abertura do álbum e que julgo ter uma estranha ressonância à mesma, sem dúvida, mais acelerada e também mais “cínica” (Crowds of people standing everywhere/ 'cross the street I'm at this laugh affair/ And here they always play my songs/ And me, I wonder if it's...), mas não deixa de ser, de qualquer modo, uma celebração do universo urbano hippie de Los Angeles.  Depois de em Live And Let Live Arthur voltar à guerra do Vietname (Yes I've seen you sitting on the couch/ I recognize your artillery/ I have seen you many times before/ Once when I was an indian/ And I was on my land), servindo-a como uma espécie de “protest song” que me faz lembrar os Doors – Johnny Echols recorda: «Apercebi-me de que quando estávamos a fazer o álbum, falávamos muitas vezes sobre a guerra. Era estranho como se sentiam os adultos e os idosos sobre aquela guerra. Foi romantizada como foi a Segunda Guerra Mundial. Mas não para nós.»(9 pp.9/10) – não posso deixar de encarar a singeleza melódica e lírica (Hummingbirds hum, why do they hum, little girls wearing/ Pigtails in the morning, in the morning/ La da da, da da da da) de The Good Humor Man He Sees Everything Like This como um exercício de ironia da sua parte [«Eu fui de propósito sentar-me em frente de uma escola e observar os miúdos, porque queria escrever uma canção sobre a maneira como achava que a vida deveria ser, crianças a se divertirem e outras coisas, e a canção a ser divertida e a beleza da música – tudo isso. Mas nada daquilo se estava a passar.» – Arthur Lee(9 p.10)].  Ambas seriam registadas na primeira sessão de Agosto, no dia 11.   Bummer In The Summer, gravada assim como a seguinte, no segundo dia da sessão de Agosto, é toda ela Bob Dylan da época (Well I remember when you used to look so good/ And I did everything that I possibly could for you/ We used to ride around all over town/ But they're puttin' you down for bein' around with me) embora Arthur atribua o riff da guitarra a uma canção de Ike Turner.  A fechar o álbum, uma suíte de quase sete minutos, You Set The Scene, que arranca como um tributo à soul music e, a partir dos dois minutos, começa a encenar uma mudança gradual, percorrendo vários estilos sonoros... sem dúvida alguma, uma das mais complexas composições de Lee, servida por uns arranjos brilhantes e por uma lírica muito pessoal.

O álbum estaria disponível ao público em finais de Novembro de 1967. Nos EUA, atingiria apenas o #154, tendo no entanto no RU conseguido um #25.

«Apesar da falha de inconsistência do álbum, ele é agra-
dável de se ouvir. A orquestração de fundo é prazerosa e
a gravação é tecnicamente boa. Os Love desapareceram
por algum tempo antes de lançarem o álbum e é bom tê-
-los de volta.  Forever Changes oferece algumas coisas
boas para os ouvidos abertos.» – Jim Bickhart(1)

«Forever Changes destaca-se pela sua fusão de Broadway,
imagética psicadélica, arranjos aventureiros de metais e
cordas, e os trocadilhos espirituosos que o torna num tes-
temunho focado para o movimento hippie de L.A.» – Phil
Gallo(5 p.17)

«Pensei que ia morrer aos vinte e seis anos, eu acredita-
va que aquelas seriam as minhas últimas palavras para o
 planeta.» – Arthur Lee(11)

Cartaz do Fillmore de São Francisco

A 30 de Janeiro de 1968, o grupo regressa ao Sunset Sound Recorders para gravar um novo single, Your Mind And We Belong Together / Laughing Stock, com Arthur a encarregar-se da produção.  Seria a última vez que os elementos iniciais do grupo se encontrariam em estúdio.  Quando é posto à venda, em Junho, o grupo já estava separado.  MacLean é o primeiro a abandonar o grupo e se, inicialmente, pensava em retomar uma carreira a solo, com os patrões da Elektra a incentivá-lo, acabaria por ter de lutar contra a dependência do álcool e da heroína – anos mais tarde converte-se a um culto cristão e passa a cantar temas religiosos. Arthur Lee, por sua vez e depois de ter escapado a uma overdose, regressa em Agosto com uma nova formação, mas outras tantas depois dessa se lhe seguirão, assim como vários álbuns que no entanto não conseguem ter a auréola de qualidade alcançada com os trabalhos da primeira formação.  Echols e Forssi, conta a lenda, para sustentar o vício tornam-se nos “the doughnut bandits” que depois de terem sido apanhados e de terem cumprido o tempo de castigo, desaparecem no anonimato.  Dos quatro, apenas Echols ainda se encontra entre nós.

«Nós estávamos a ter suficiente sucesso para nos estragar-
mos. Era uma grande festa, mas havia um preço a pagar, e
algumas pessoas não sobreviveram.» – Bryan MacLean(11)

________________________
(1)   BICKHART, Jim. “Forever Changes”. Rolling Stone Vol. 1, No. 5, February 10, 1968. p.21;
(2)   FRICKE. David. “Arthur Lee, 1945-2006”. Rolling Stone Nr. 1007, August 24, 2006. p.24;
(3)   HOSKYNS, Barney. “Through The Keyhole”. Mojo Nr. 43, June 1997;
(4)   HOFFMANN, Frank. “The Byrds. Encyclopedia of Recorded Sound (Garland Reference Library of the Humanities)”. 1993, 2005. p.306;
(5)   GALLO, Phil. “Love Story, 1966~1972” CD Sleeve Notes. 1995;
(6)   HOLZMAN, Jac, and DAWS, Gavan. “Follow the Music: The Life and High Times of Elektra Records in the Great Years of American Pop Culture”. 1998, 2000;
(7)   DENSMORE, John. “1965, the Strip and Lee”. Los Angeles Times. August 07, 2006;  (     )
(8)   SANDOVAL, Andrew. “An Elektra Classic. Love Da Capo”. CD Sleeve Notes. 2000;
(9)   ___________________. “In the summer of 1967”. Forever Changes (Collector’s Edition) CD Sleeve Notes. 2008;
(10) ___________________. “The Love Elektra Sessions, 1966-1968”. Love Story, 1966~1972, CD Sleeve Notes. 1995;
(11) PUTERBAUGH, Parke. “Where Are They Now? Love”. Rolling Stone Nr. 533, August 25, 1988.




Love ~ A Primeira Formação, 1966/68 (Parte II)

Love, o primeiro álbum


Capa do LP Love

Jac, entusiasmado com a sua nova aquisição e querendo captar toda a energia que descobrira nas actuações do grupo, inicia de imediato contactos para os gravar.

«Tínhamos ouvido coisas boas sobre o Sunset Sound.
Não havia qualquer probabilidade do Arthur estar
pronto para gravar até às sete horas da noite, então
decidi verificar as instalações antes disso, ver a mesa
de mistura, o Ampex de quatro pistas, os microfones
disponíveis e trocar ideias com o engenheiro que era
o Mark Abramson e eu. Eu entrei e vi esse rapaz, que
me pareceu não poder ter mais do que dezanove anos,
movendo habilmente os dedos sobre a consola e, em
geral, parecendo que sabia o que estava a fazer. Ele
disse-me que o seu nome era Bruce Botnick.»
– Jac  Holzman(6 p.129)

A gravação, efectuada no Sunset Sound Recorders, iria decorrer sem grandes novidades entre 24 e 27 de Janeiro de 1966, e cada sessão acabaria por vir a ser altamente produtiva.  Arthur encarregar-se-ia de tocar todos os instrumentos sempre que os membros do grupo não conseguissem a sonoridade por ele pretendida – isso aconteceu com a maior parte da secção rítmica em vários temas sendo que. para os restantes, trouxe dois novos membros para o grupo: Ken Forssi para o baixo e Alban “Snoopy” Pfisterer para a bateria.

«Os Love chegaram já preparados. Eles vinham a tocar
ao vivo. (...) Jac tinha visto a banda (...). Ele conhecia a
música quase tão bem como eles a faziam. E porque ele
sabia tanto, o grupo trabalhou realmente bem com ele.»
– Bruce Botnick(6 p.130)

«Nós estávamos a conseguir três boas faixas por dia. O
Arthur tocava frequentemente os instrumentos de outras
pessoas se achava que o podia fazer melhor, e ele conse-
guia-o sempre.  (...) Foi um álbum numa semana. (...) o
Mark e eu revimos as misturas, fizemos algumas correc-
ções, e estava pronto.  (...) A capa merecia um estilo vi-
sual diferente de outro álbum qualquer que a Elektra ti-
vesse lançado antes. (...) Eu pensei que se tivesse várias
fotografias dos Love em cada lado, iria aumentar o seu
impacto visual – e, esperava, as vendas.  Pedi ainda ao
Bill [Harvey] para desenhar um logotipo distintivo do
grupo, para aparecer no álbum e em todo o material
promocional (...) [e] o Bill desenvolveu um elaborado
desenho psicadélico, com os símbolos masculino e fe-
minino. » – Jac Holzman(6 pp.130/131)

Em pouco tempo reuniram um número suficiente de músicas para fazerem um LP.  O álbum abre com a já mencionada cover do tema de Burt Bachrach e Hal David, My Little Red Book que Arthur conhecia na versão original gravada pelos Manfred Mann mas à qual deu uma roupagem radicalmente oposta, adoptando antes um ritmo neurótico acentuado pela constante presença do baixo mas essencialmente da pandeireta que ele teima em não largar.  Can’t Explain é toda ela The Who, desde o título (que foi descaradamente) surripiado até ao estilo de vocalização à Daltrey, embora Arthur atribua a sua origem antes a What A Shame dos Rolling Stones: «É uma música de estilo diferente mas as palavras são quase idênticas. O Johnny Fleckenstein e eu pusemo-las juntas num estilo folk rock.» – Arthur Lee(5 p.12).  A Message To Pretty, é uma canção de Arthur para o seu grande amor, Anita, em forma de balada à Byrds, com uma parte de harmónica surpreendente.  My Flash On You, de Arthur, é estruturalmente idêntica à cover de Hey, Joe (que aparece no lado 2 do disco), numa versão trabalhada por MacLean, não a partir do original de Billy Roberts mas sim da versão de David Crosby para os The Byrds.  Softly To Me é uma composição típica de MacLean e do seu universo lírico colorido (Orange, sugar, chocolate, hot cinnamon and lovely things and you) erguido sobre um universo musical não menos “colorido” – nela podem adivinhar-se toda uma série de influências que mais tarde dariam corpo ao psicadelismo; de realçar ainda o seu trabalho vocal.  You I’ll Be Following, que abre o lado 2, é Arthur em busca de alguém que lhe indique o “caminho” – talvez da sua amada, talvez de um ser superior (Went to Baghdad/ I went to Laurel/ Tripped in the canyon/ My head is still bent, but now/ You I’ll be following).  Interessante é a referência a dois membros do grupo (I went to Johnny/ I went to Conka/ One of them told me/ That he was holding, but now/ You I’ll be following) nessa busca.  Sobre Hey, Joe, Arthur Lee dirá: «Bryan foi road manager dos The Byrds, e nós tocávamo-la porque eles a tocavam.»  Signed D.C. é, quanto a mim, das melhores composições deste álbum e de todas as compostas por Arthur Lee – há algo de Doors (ou será vice-versa?) e das músicas dos cowboys solitários nela, da solidão de todos os Don Conkas (My soul belongs to the dealer/ He keeps my mind as well/ I play the part of the leecher/ No one cares for me, cares for me”) «Foi escrita sobre a época e as pessoas que eu via quando saía do palco – os encostados às paredes que não podiam destapar os braços. Não foi escrito acerca de uma pessoa. A maioria das pessoas estava a fazer o que foi escrito nessa canção. D.C. significa Distrito da Columbia. A ouvir “St. James Infirmary”e “House Of The Rising Sun” eu descobri a linha melódica a partir delas.» – Arthur Lee(5 p.14)], e Mushroom Clouds é um tema em que todo o grupo se empenhou tentando indo buscar aos Simon & Garfunfel o que poderia ser adaptado à nova música eléctrica.

Arthur Lee

O álbum virá a ser publicado em Maio de 1966 e embora tenha vendido bem na Costa Oeste, nas tabelas da Billboard não ultrapassará o #57.  Dele virá a ser extraído o single My Little Red Book/A Message To Pretty que, em Junho, subirá ao #52 nas tabelas nacionais.

«O que podem ouvir naquele primeiro álbum é apenas
uma versão enervada, atenuada, de como éramos ao vi-
vo.  Nele não encontram a distorção, ou a energia, ou o
impacto.» – Bryan MacLean(3 p.79)

«O Jim e eu íamos de carro de Laurel Canyon ao res-
taurante chinês perto do Deli de Greenblatt para com-
prar arroz frito com ovo para o pequeno-almoço. Nu-
ma dessas excursões “My Little Red Book”, saía do rá-
dio, a cover dos Love da canção de Burt Bacharach-Hal
David. “Se pudéssemos fazer um disco tão bom quanto
este”, disse Jim, “eu ficaria feliz.”» – John Densmore(7)



Da Capo


Capa do LP Da Capo

O relativo sucesso do primeiro trabalho do grupo não virá a alterar os seus hábitos – talvez fora da zona hip de Los Angeles lhes tenha trazido um pouco mais de notoriedade mas nem isso irá ser uma motivação suficiente para convencer Arthur a aventurar-se para muito longe da casa-comuna em Laurel Canyon [«Nós éramos os mais populares - e os mais preguiçosos. A Costa Leste em digressão? Esqueçam isso. Nós estávamos a dar-nos muito bem em L.A.» – Arthur Lee(5 p.4)] aonde o grupo agora habitava, o famoso “the castle” que, supostamente, em tempos pertencera ao actor de filmes de terror Béla Lugosi e aonde, também supostamente, lhes foram tiradas as suas fotografias mais conhecidas numa sessão feita de propósito para a capa do seu álbum inaugural.

«Todos lhe chamam “The Castle”, mas não se parece
em nada com um castelo, verdade. Apenas uma casa
muito, muito grande. A primeira vez que Bryan me
pediu para aparecer, eu entrei e o Arthur estava a an-
dar de skate ao longo do perímetro da sala de estar
(...). Tinha um chão de madeira e não havia qualquer
mobília no meio do caminho – apenas um sofá e uma
mesa no meio  – por isso, ela era perfeita.» – Michael
Stuart-Ware(8 p.10)

«Eu adorava a casa do Arthur, lá em Hollywood Hil-
ls.  Tudo estava do género escondido ou coberto com
peles.» – Mark Abramson(6 p.133)

Entretanto passam também a actuar no Whisky A Go Go, aonde se encontram com uma banda que Arthur Lee praticamente viria a apadrinhar, os The Doors.

Cartaz do Whisky A Go Go 

«Em Maio de 1966, voei para Los Angeles (...). O
Arthur Lee estava a tocar no Whisky e esperava-
-me lá. (...) O Arthur pediu-me para ficar por ali
para a próxima banda. Quem quer que eles fossem,
o Arthur tinha uma boa opinião sobre eles, e eu ti-
nha uma boa opinião da opinião do Arthur, então
eu fiquei.» – Jac Holzman(6 p.162)

«Quando os Love tocaram no ainda na moda Whis
ky A Go Go, mais a oeste na Sunset, Lee afirma que
eles “começaram toda essa coisa hippie” em con-
junto com uma multidão de frequentadores malucos
liderados pelo idoso escultor beatnik Vito Paulekas.
“Era o Vito, o Carl Franzoni, a Sue, o Beatle Bob, o
Bryan e eu,” diz ele, “o Bryan colocava uma fita no
cabelo e, depois de darmos os nossos espectáculos,
as pessoas iam até ao Ben Frank para estarem con-
nosco.”»(3 p.75)

A 20 de Junho, o grupo está de regresso ao Sunset Sound Records para gravar aquele que em Julho viria a ser o seu segundo single, 7 And 7 Is.  Para o lado B, a Elektra recuperou um tema gravado nas sessões de Janeiro, No. Fourteen. O single entrará nas tabelas em finais de Julho e atingirá o #33.

«Quando o Arthur a tocou para nós era uma música
totalmente diferente. Nós vínhamos a trabalhar uma
outra canção chamada “In My Time”. Ela era seme-
lhante a “7 & 7 Is” na qual queríamos como que ex-
perimentar usar tons fuzz e coisas diferentes no bai-
xo. (...) Nós procurávamos o caos controlado – é des-
ta maneira que eu gosto de a descrever  – porque “7
& 7 Is” é como isso. O Bryan começou a improvisar
mas isso inicialmente não fazia parte da “7 & 7 Is”.
Isso surgiu depois de o Jac ter posto a explosão lá e
então fizemos isso.» – Johnny Echols(8 p.4)

«é uma obra-prima apocalíptica, metralhada furiosa-
mente ao longo de dois minutos e um quarto, culmi-
nando com o som de uma bomba atómica.» – Barney
Hoskyns(3 p.79)

O single acabaria por ser a quarta música do novo álbum, Da Capo, mas aparecendo por extenso: Seven And Seven Is.  Com uma nova formação, Michael Stuart na bateria – “Snoopy” passaria para os teclados – e Tjay Cantrelli (John Barberis) no saxofone e flauta, o grupo passa cinco dias (de 27de Setembro a 2 de Outubro) no RCA Victor Studios, de Hollywood, tendo como produtor Paul Rothchild, e como engenheiros, Bruce Botnick e Dave Hassinger.

Os Love no período Da Capo

«Ele falou-me deste produtor que tinha acabado de sa-
ir da prisão por erva, e que era fantástico, e que tinha
trabalhado com todas essas pessoas de que eu gostava.
(...) Então nós dissemos, “Boa”, e encontrámo-nos e
demo-nos bem imediatamente. (...) Ele estava à espera
de um grupo diferente. Nós tínhamos mudado para um
som mais suave tipo jazzy. Foram 180 graus do primei-
ro álbum para Da Capo. (...) mas quando estávamos lá e
começámos a correr as músicas e a ensaiá-las então co-
meçámos a sentir que ele estava connosco. Ele estava
ao mesmo tempo com os Doors e penso que foi por isso
que fomos agendados para o RCA Studio B em vez do
Sunset Sound, pelo facto de os Doors estarem agendados
para lá.» – Johnny Echols(8 p.9)

O tema de abertura, Stephanie Knows Who, arranca com uns acordes de cravo, um instrumento mais conotado com a música dita erudita, soando a valsa mas imediatamente a secção rítmica e a voz de Arthur tomam conta da canção, transformando-a numa cacofonia aonde o jazz surge pelo saxofone a querer romper a barreira erguida pelas guitarras, muito mais violentas do que nunca e fazendo lembrar vagamente o estilo de S. Francisco.  Echols explica assim o tema: «Eu acho que ela primeiro foi namorada do Bryan, em seguida o Arthur começou a ir com ela e terminou com ambos a perderem-na.»(8 p.12).  A música que se lhe segue, Orange Skies, é, pela sua construção melódica com algo de melancólico, como não podia deixar de ser de Bryan, a partir de The Bells of Rhymney, dos Byrds, e de quando ele ainda trabalhava para eles.  Tjay, desta vez na flauta, volta a injectar um pouco de jazz (bossa nova?) à composição – «era uma boa canção mas tive de ir ter com o Bryan e perguntar-lhe “Porque é que não escreves sobre coisas que são reais? Porque é que estás sempre a escrever acerca de gelados?”» – Arthur Lee(5 p.15).  ¡Que Vida! é música no seu mais alto gozo: aquele pop! da garrafa de champanhe aberta para comemorar a vida, sobre um ritmo latino contagiante marcado pelo órgão tipo bar de hotel, só encontra paralelo na letra de Arthur (With pictures and words/ Is this communicating?/ The sounds that I’ve heard/ The growling voice then fading/ And yes my heart was beating/ Or was it just repeating?).  Seven And Seven Is é a urgência da angústia dos tempos que corriam e que Botnick captou perfeitamente ao introduzir a explosão atómica final, seguida dum excelente prolongamento melódico pela guitarra de Bryan.  The Castle é das canções mais ambiciosas do grupo com as suas constantes variações rítmicas, principalmente se tivermos em consideração que foi toda criada a partir do nada [Echols: «Essa foi uma das canções do Arthur que ele trouxe para esta coisa no último minuto. Nós nunca ensaiámos essa música em lugar nenhum antes.»(8 p.12)]  A introdução acústica e o baixo que se lhe segue, conduzem a música por universos surpreendentes – do norte-africano ao hispânico, com uma breve passagem pelo vitoriano introduzido pelo uso do cravo.  She Comes In Colors está impregnado de samba e permite a Tjay sobressair uma vez mais e de novo, na flauta.  Interessante é também a contribuição de “Snoopy” no cravo.

«Quando ouvi a parte de “When I was in england town”
eu pensei que tinha piada.  A menos que haja uma “en-
gland town” algures entre o Tennessee e a Califórnia, a
única maneira de o Arthur ter estado lá antes de escrever
o material para Da Capo era como a de James Taylor ter
ido à Carolina! Talvez como daquela vez que estava a fu-
mar um pouco de erva com o Kenny e ele disse: “Man,
Michael, a Disneylândia é um lugar para explodir a men-
te.” E eu disse, “Sim, quando é que foste até lá?” Então
ele sorriu e disse, “Estou lá agora.”» – Michael Stuart-
Ware(8 p.10)

Por mim, o álbum termina aqui: os restantes dezanove minutos de Revelation são para esquecer – supostamente, seriam para reproduzir um tema que fazia parte do seu reportório no Whisky, com o titulo de John Lee Hooker, e no qual recorriam a uma novidade que tinham visto em concertos no novo jazz e que consistia em dar tempo a cada membro do grupo para sozinho fazer a sua jam session, mas a verdade é que é uma faixa difícil de agarrar o ouvinte, longa e tocada com pouco entusiasmo e, por isso, difícil de acompanhar.  O grupo viria a atribuir o falhanço ao mau trabalho de produção de Rothchild: «Ele ia dizendo que estava a tentar “pintar um quadro”. Eu ia explicando-lhe que cabia a nós pintar o quadro e a ele colocá-lo na tela – ou na bobine – e não por iniciativa própria fazer algo como aquilo.» – Johnny Echols(8 p.13)

Um mês antes do álbum ser posto à venda, a Elektra disponibiliza o single She Comes In Colors/ Orange Skies.  O álbum é posto à venda em Janeiro de 1967 e atingirá o #80 nas tabelas de álbuns da Billboard.  Dele irá ainda a ser extraído mais um single com ¡Que Vida! tendo como lado B, Hey Joe.

«O Arthur perguntava ao Snoopy qual é o termo musical
para regressar ao começo e o Snoopy disse-lhe que é Da
Capo. Então foi assim que acabámos por ficar com esse
nome. Era regressar às raízes, porque estávamos a regres-
sar aonde estávamos antes de termos chegado a Holly-
wood e tipo, termos mudado para este grupo de rock. (...)
Basicamente estávamos a falar em regressar a isso. Como
o álbum materializa não regressámos a nada.» – Johnny
Echols(8 p.14)

«Eu sinto que me encontrei, ou plantei uma semente de
quem sou hoje, em Da Capo. Eu nasci em Da Capo.» –
Arthur Lee(3 p.80)

«O que houve foi um gajo que cresceu com Rodgers &
Hammerstein e Aaron Copland, e que adorava o Burt
Bacharach, e por outro lado, outro gajo que cresceu no
lado oeste de LA – no distrito de Crenshaw-Adams –
com R&B. E foi essa mistura que tornou isso interes-
sante e único.» – Bryan MacLean(3 p.79)


Love ~ A Primeira Formação, 1966/68 (Parte I)

Cartaz da Elektra na Sunset Strip

«O terceiro regresso dos Love [NA: no original, a frase tem uma outra subtileza: “The third coming of Love”], anunciado no cartaz da Elektra na Sunset Strip, no verão passado, está entre nós.»(1) – assim começava Jim Bickhart, numa das edições de 1968 da revista Rolling Stone, a sua crítica sobre Forever Change, o então último álbum dos Love, uma banda da cidade dos anjos que tinha em Arthur Lee, o seu líder carismático, e que, como escreveu David Fricke uns trinta e oito anos depois para a mesma revista, eram «(...) a primeira grande banda integrada dos anos sessenta, a primeira banda de rock a assinar com a Elektra e a primeira banda a colocar uma música num lado inteiro de um álbum de doze polegadas – “Revelation”, em Da Capo. Mas a aversão de Lee às promoções e às digressões garantiram que os Love se tornassem heróis em Los Angeles e um enigma em qualquer outro lugar.»(2), mas tudo isto começou no inicio de 1965...

«O Arthur tocava R&B e algures ao longo do caminho,
ele decidiu apanhar uma boleia até à Strip.  Eu não a-
cho que ele tenha sido oportunista.  Não acho que tenha
pensado “Oh, eu quero entrar nessa”.  Sinceramente,
acho que ele gostou da música e da cena.”» – Bryan
MacLean(3 p.75)

A tal «boleia até à Strip», aparentemente, tê-lo-á levado até ao Ciro’s – um clube nocturno dos anos quarenta que ao longo da década de sessenta se foi adaptando às novas sonoridades que entretanto iam surgindo – aonde terá ouvido a banda residente, The Byrds, tocar o seu habitual «folk rock, uma mistura da influência rock da Invasão Britânica – com as suas guitarras harmoniosas e harmonias sem costuras – e a poesia socio-política tipificando as melhores letras de canções da música folk.»(4)

«Eu apercebi-me de que podia parecer com os Byrds e
os Beatles, e disse: “Hei, este és tu. Para de tentar ser
um imitador.” Fui a uma série de companhias de gra-
vação de proprietários negros – a SAR de Sam Cooke,
e a Motown – e não me quiseram.  Eles queriam que
eu  trabalhasse por um tostão ou metade dum tostão.»
– Arthur Lee(5 p.9)

Arthur Lee

O Arthur tinha já alguma experiência com outros grupos: com o guitarrista e vizinho Johnny Echols formara os LAG’s, um grupo de garagem que actuava em festas aonde reproduziam velhos clássicos de rhythm’n’blues que passaram a ser os The American Four quando surgiu a oportunidade de gravar um ou outro single que passariam completamente incógnitos.  Depois de ouvirem os Byrds, Arthur e Echols decidem formar os Grass Roots com o baterista Don Conka e o baixista Johnny Fleckenstein, um ex-membro dos The Sons Of Adam que tinham gravado uma composição de Arthur.  Menos de um mês depois conseguem um contrato para um clube de Melrose, o Brave New World.  É por esta altura que Arthur se encontra com Bryan MacLean – um jovem vindo de um outro mundo que incluía o conhecimento de várias personalidades de Hollywood, o de ter sido o primeiro namorado de Liza Minnelli, e o de ser amigo de David Crosby, através de quem consegue a responsabilidade de ficar à frente de algumas digressões dos Byrds – e o convida para fazer parte do grupo.

«Ele convidou-me a aparecer para ouvi-lo no Brave
New World, e por algum motivo acabou por entrar no
meu carro.  Ele precisava de ir a um lugar e eu disse
que o levava até lá. E foi assim que tudo começou.» –
Bryan MacLean(3 p.75)

«Nós começámos no Brave New World, em Melrose,
e depois passámos para o Bido Lito; actuávamos seis
noites por semana a $20 ou $30 por noite.  Quando
começámos no Brave New World, eles tinham 15 a 20
pessoas por lá, cada noite. Duas semanas depois, eles
ficavam de pé por todo o lado.  Os Yardbirds, Mick
Jagger, Sal Mineo - nomeie-os, eles estiveram lá.» –
Arthur Lee(5 p.11)

Quando em finais de 1965, uma cover de um tema de Bob Dylan, Mr. Jones (Ballad Of A Thin Man), interpretado por um grupo criado pela dupla de compositores P.F. Sloan e Steve Barri com o nome de The Grass Roots, atinge uma certa popularidade, Arthur Lee e os restantes membros do grupo decidem passar a chamar-se de Love e pouco depois passam a banda residente de um outro clube de LA, o Bido Lito.  É nele que Jac Holzman, um dos proprietários da Elektra, acaba por os encontrar.

Os Love no início da carreira

A Elektra era uma independente, formada em finais de 1950 por Jacques Holzman e Paul Rickhalt, cujo catálogo era essencialmente composto por música folk.  Em meados da década de sessenta, demonstraram interesse em variar o mais possível a sua oferta (música erudita, jazz, blues, e por fim, o rock) e é assim que Jac aparece a contratar os Love.

«Eu estava fascinado. Era uma cena de um dos mais a-
migáveis anéis do inferno de Dante. Corpos esmagan-
do-se uns contra os outros (...), numa cadência parte
musical e todos sexuais. A banda atacava ‘Hey, Joe’ e
‘My Little Red Book’. Interiormente, sorri. ‘My Little
Red Book’ era de Burt Bachrach e Hal David, e entra-
va no filme “What’s New, Pussycat?” de Woody Allen.
Na moda mas honesta. E aqui estava Arthur Lee e os
Love fazendo-se a isso com intensidade maníaca. Cin-
co gajos de todas as cores, negros, brancos e psicadé-
licos –  aquilo era único.  O meu coração bateu mais
forte. Eu tinha encontrado a minha banda! Reunimo-
-nos com os Love depois da sua actuação, e compro-
meti-me a assinar com eles sem exigir uma demo de
estúdio.  Concordámos em nos encontrarmos no dia
seguinte (...).» – Jac  Holzman(6 p.128)

«(...) o Arthur disse, “Quero $5,000 adiantados para
assinar o contrato – em dinheiro.” O Jac respondeu,
“OK, encontramo-nos no banco.” O Jac passou o che-
que e o Arthur disse à banda, “Voltem para o hotel.
Tenho de ir buscar uma coisa.” E cerca de quatro ou
cinco horas depois ele apareceu com um Mercedes 300,
asas-de-pássaro, dourado pelo qual pagou $4,500.
“Bem,” disse, “nós precisamos de transporte para nos
deslocarmos aos concertos. (...)  O Arthur comprou
também uma harmónica, deu cem paus a cada um dos
outros, e lá se foram os 5 mil.” – Herb Cohen(6 p.129)